O ENTREVISTADO
Ricardo PrazeresTalent Acquisition Manager na ISPROX
Falar de Ricardo Prazeres é falar de uma trajetória pautada pela dedicação às pessoas e pela convicção de que o talento certo no lugar certo transforma o rumo de qualquer negócio. Com uma sólida experiência no setor de Recursos Humanos, especializou-se na atração e identificação de perfis estratégicos, liderança de equipas e gestão de talento nos últimos 15 anos, sempre em ambiente de consultoria estratégica.
Tendo um contexto empresarial com experiência relevante em cargos de liderança entende perfeitamente que o compromisso diário na ISPROX é de aproximar empresas e profissionais de excelência, demonstrando que os Recursos Humanos vão muito além dos processos operacionais: são o verdadeiro motor de crescimento e inovação das organizações em Portugal.
Quando olhamos para o mercado de trabalho em Portugal até 2030, quais considera que serão os principais desafios das empresas na atração e retenção de talento?
O primeiro grande desafio será a adaptabilidade contínua ao mercado e o alinhamento das prioridades entre as organizações e as pessoas que as constituem.
O mercado não é estático e as prioridades de vida mudam. Hoje convivem várias gerações no mesmo espaço de trabalho, e o sucesso da atração e retenção passa por garantir que o propósito e a cultura da empresa respondem de forma clara ao que essas pessoas valorizam, sendo que atualmente se debatem bastante pelo custo de vida e pela flexibilidade laboral vs contextos familiares.
Muitas vezes esquecemo-nos de que Portugal tem centenas de empresas com mais de 100 anos de história. Isso revela uma capacidade notória de adaptação a crises, revoluções tecnológicas e mudanças sociais ao longo de décadas.
Como tal, o desafio até 2030 será aplicar essa mesma resiliência corporativa à forma como gerimos talento. As empresas terão de abandonar o tema exclusivo dos salários baixos para criarem ambientes de trabalho com elevados níveis de adaptabilidade, onde as necessidades do negócio e as expectativas das pessoas, sejam elas juniores à procura de mentoria ou perfis seniores à procura de flexibilidade, estejam em total sintonia e que permita fazer a diferença no seu negócio.
A escassez de profissionais qualificados é já uma realidade em várias áreas. Que impacto terá esta tendência na capacidade de crescimento e competitividade das empresas portuguesas nos próximos anos?
Ao longo de 15 anos no terreno, raramente vi tantas empresas a adiar a expansão ou a recusar projetos simplesmente por falta de braços qualificados. O impacto desta escassez é direto: gera uma inflação salarial desfasada do valor real entregue e cria a fatura invisível do atraso operacional, onde manter posições estratégicas vagas custa fortunas em perda de produtividade.
Contudo, é precisamente perante esta escassez que a nossa visão tem de mudar. A solução passa pela capacidade de olhar para o mercado e identificar competências transferíveis em setores similares.
Se uma empresa exigir sempre o candidato perfeito, com dez anos de experiência na sua microárea exata, a escassez será eterna. Porém, se o mercado começar a avaliar profissionais de indústrias correlacionadas, que possuam competências de base sólidas como capacidade de análise, gestão de operações ou liderança, o leque de talento expande bastante.
Acredito que, aliando esta visão alargada a uma crescente aposta na formação inicial e requalificação por parte das empresas, facilitaremos o enquadramento de muitos mais profissionais, transformando este desafio numa oportunidade de inovação interna e com maior valor futuro.
Para além das competências técnicas, que competências comportamentais serão mais valorizadas pelas empresas até 2030? Estamos perante uma mudança no perfil do talento que procuram?
Sem dúvida que a mudança é estrutural e irreversível. O ciclo de validade de uma competência técnica ficou bastante reduzido nos últimos anos. O código informático, o software de engenharia ou o processo de gestão que dominamos hoje serão rapidamente atualizados ou automatizados. Contratar alguém exclusivamente pelo que sabe executar hoje é hipotecar o futuro dessa função. Por esse motivo, o foco da avaliação passou de forma clara para o eixo comportamental e adaptativo.
Neste contexto, a capacidade de aprendizagem contínua, ou learnability, passa a ser a competência mais valiosa do mercado: as empresas procuram a humildade e a velocidade com que um profissional desaprende rotinas obsoletas e assimila novas metodologias de forma autónoma.
Paralelamente, o pensamento crítico será essencial para analisar o dilúvio de dados gerados por ferramentas automáticas, separar o sinal do ruído e tomar decisões de negócio com ponderação e bom senso.
Por fim, num cenário de equipas muitas vezes fragmentadas, remotas e multidisciplinares, a inteligência relacional e a empatia assumem um papel determinante. A capacidade de comunicar com clareza, resolver atritos de forma construtiva e liderar sem depender apenas da autoridade formal do cargo será o verdadeiro motor de produtividade e coesão dentro das organizações até 2030.
A Inteligência Artificial está a transformar funções, processos e modelos de trabalho. Como deverá esta evolução influenciar as estratégias de recrutamento e que profissionais estarão mais preparados para tirar partido dela?
É fundamental desmistificar a IA: ela é, acima de tudo, mais uma ferramenta para otimizar o trabalho, e não um substituto da intuição humana. No recrutamento, a inteligência artificial tem a enorme vantagem de limpar a carga puramente administrativa, assumindo triagens massivas de currículos, agendamentos automáticos e organização de bases de dados.
O ENTREVISTADO
RICARDO PRAZERESTalent Acquisition Manager na ISPROX
Falar de Ricardo Prazeres é falar de uma trajetória pautada pela dedicação às pessoas e pela convicção de que o talento certo no lugar certo transforma o rumo de qualquer negócio. Com uma sólida experiência no setor de Recursos Humanos, especializou-se na atração e identificação de perfis estratégicos, liderança de equipas e gestão de talento nos últimos 15 anos, sempre em ambiente de consultoria estratégica.
Tendo um contexto empresarial com experiência relevante em cargos de liderança entende perfeitamente que o compromisso diário na ISPROX é de aproximar empresas e profissionais de excelência, demonstrando que os Recursos Humanos vão muito além dos processos operacionais: são o verdadeiro motor de crescimento e inovação das organizações em Portugal.
No entanto, o especialista de negócio, o guardião da cultura organizacional e das pessoas, continuará sempre a ser quem está no contacto direto. A tecnologia ainda falha na leitura das entrelinhas de uma conversa, na avaliação empática do encaixe cultural e, sobretudo, na construção da confiança com o candidato, algo que é intrinsecamente humano.
Os profissionais mais preparados para o futuro serão os que adotarem um perfil híbrido: aqueles que compreendem a tecnologia o suficiente para a usarem como acelerador mecânico, libertando o seu próprio tempo para aquilo que realmente importa, como pensar a estratégia, negociar e aprofundar as relações humanas com as equipas e clientes.
Portugal enfrenta também o desafio de atrair e reter talento num mercado de trabalho cada vez mais global. O que podem as empresas fazer para se tornarem mais competitivas na captação de profissionais, tanto em Portugal como no estrangeiro?
As empresas em Portugal não devem tentar concorrer com os orçamentos brutos da Alemanha ou dos Estados Unidos utilizando a mesma estrutura contabilística clássica porque é um combate difícil. O tecido empresarial português tem de ser mais inteligente e recorrer à Engenharia de Compensação, investindo com racionalidade e partilhando o valor gerado.
O caminho é deslocar o risco para a componente de crescimento e sucesso futuro. Criar esquemas remuneratórios em que o colaborador ganha substancialmente se o projeto ou a empresa crescerem, através de prémios de produtividade indexados a entregas e modelos de retenção de médio prazo.
Além disso, importa copiar os bons exemplos internacionais, garantindo total transparência no momento do recrutamento e assegurando ambientes de trabalho onde a flexibilidade, a desburocratização e a participação seja cada vez mais ativa no sucesso das organizações.
Flexibilidade, conciliação entre vida profissional e pessoal e oportunidades de desenvolvimento ganharam peso nas decisões dos profissionais. Até que ponto estes fatores serão determinantes para a retenção de talento até 2030?
Deixaram de ser trunfos de atração para se transformarem em condições de higiene laboral. Até 2030, qualquer empresa que insista num modelo cego de controlo corre o risco de ver grande parte das suas propostas de emprego recusadas.
A questão central da flexibilidade traduz-se numa palavra: confiança. Reter talento passa por definir objetivos cirúrgicos, cobrar métricas de impacto e dar às equipas a liberdade e a autonomia para gerirem o seu tempo. As empresas que aprenderem a gerir por resultados e impacto reterão os melhores profissionais do mercado; as que continuarem a gerir puramente por presença física arriscam ficar apenas com aqueles que não têm opções de saída no mercado.
Muitas empresas estão a apostar na formação e na requalificação dos seus profissionais. Considera que o desenvolvimento interno será uma resposta cada vez mais importante à escassez de talento?
É a resposta mais viável e com melhor retorno financeiro. Procurar ininterruptamente no mercado externo o perfil 100% perfeito, aquele que cumpre todos os requisitos desde o primeiro dia, atrasa a operação durante meses e gera inflações salariais desnecessárias.
As organizações com visão de futuro até 2030 encaram as suas estruturas como verdadeiras academias. Contratam o talento pela sua maturidade comportamental, agilidade de raciocínio e encaixe na cultura, assumindo a responsabilidade de desenvolver as vertentes técnicas mais específicas através de formação interna. Este caminho não só otimiza os custos de aquisição de talento, como cria uma cultura de lealdade e pertença inquebráveis.
Que setores ou perfis profissionais prevê que enfrentem maiores dificuldades de recrutamento nos próximos anos em Portugal? E onde poderão surgir novas oportunidades?
A pressão será transversal, mas atingirá picos em áreas fundamentais de infraestrutura. A Tecnologia e Cibersegurança continuarão a sofrer com a falta de perfis seniores. Na Indústria e Engenharia Avançada, haverá uma disputa forte por peritos em automação e robótica. A área da Saúde e Cuidados Continuados sofrerá imenso devido à pressão demográfica e emigração, tal como o setor da Logística Global, que carece de gestores operacionais qualificados.
Em contrapartida, as grandes oportunidades estratégicas vão surgir na economia verde e nas Pessoas. Perfis ligados a Sustentabilidade, auditoria ambiental e transição energética, especialistas em Governança e Ética de IA, e líderes focados em Transformação Organizacional serão altamente requisitados para ajudar as empresas a navegar nesta década de transição.
A ISPROX aposta numa abordagem próxima e especializada na seleção de talento. De que forma esta metodologia pode ajudar as empresas a responder aos desafios de talento que marcarão o mercado de trabalho português até 2030?
A metodologia da ISPROX resolve o problema crónico de olhar para o recrutamento externo como um mero centro de custos administrativos, ajudando os clientes a encará-lo como uma alocação racional e estratégica de capital.
Quando uma empresa decide preencher uma posição crítica, o amadorismo e a lentidão custam milhares de euros em perda de negócio. A nossa abordagem não consiste em inundar o cliente com currículos, mas sim em mergulhar na cultura e no negócio daquela empresa para entregar um processo de seleção cirúrgico.
Para isso, contamos com uma equipa que tem como base uma vasta experiência naquilo que faz e um verdadeiro gosto pela área. Dotada da melhor tecnologia e de ferramentas avançadas que permitem elevar o processo de recrutamento para outro nível, a nossa equipa consegue diminuir drasticamente a margem de erro.
O nosso grande desafio atualmente é identificar talento para uma organização pelo o que pode contribuir para os próximos 5 anos e não pelo o que fez nos últimos anos.
Esta aliança entre a intuição humana de quem é apaixonado por pessoas e o rigor tecnológico traduz-se numa clara mais-valia do nosso serviço em comparação com outras ofertas no mercado.
Se tivesse de deixar uma recomendação aos líderes empresariais portugueses para prepararem hoje as suas organizações para o mercado de trabalho de 2030, qual seria?
A minha recomendação principal é muito clara: assumam, de forma prática e financeira, que o capital humano é e continuará a ser o ativo mais relevante da vossa empresa.
Para potenciar este ativo de forma séria, contar com uma empresa parceira de negócio especializada não é uma despesa luxuosa, é uma alavanca fundamental de crescimento e eficiência. Os líderes devem deixar de olhar apenas para o custo de investir numa contratação estruturada, e passar a calcular o impacto financeiro devastador de não terem as pessoas certas a operar o negócio.
Enquanto as pessoas continuarem a ser o coração das organizações, toda a atividade e estratégia que venha potenciar a sua atração e desenvolvimento será um investimento fundamental. As empresas que dominarão os seus setores em 2030 serão as que olharem para parceiros de talento como uma extensão das suas Administrações, garantindo que cuidam e investem naqueles que transformam a visão da empresa em realidade todos os dias.